ARTESÃO DA LITERATURA

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

MINHA PINTURA - Edvaldo Rosa

Dedicado à
Maria Auxiliadora dos Santos

E lá se vão alguns anos, instantes apenas perante a eternidade, eu sei... E nós aqui estamos, lado a lado, nunca desbaratados, um para cada lado, um na frente do outro, antes, de mãos dadas, rosto quase colados um ao outro, e o olhar que penetra pelos olhos do outro!
E lá se vão algumas lágrimas, e sorrisos tantos...
Vi estes dias, uma foto que você me diz ser a tua...
Cismo... Embora jure que é você!
Se a mulher da foto é você, quanto me espanto!

Naquela face eu procuro a tua, naqueles olhos eu procuro os teus...
Aquela boca, esta sim eu estranhei um tantinho apenas...
Pois estou acostumado a beijar estes lábios de agora, que a vida aplainou com as traquinagens dela...
Naqueles pareceu-me ver certa fúria!
Decerto, pela idade tão tenra...

Por não terem sido ainda testados pelas agruras da vida, nem terem experimentado o doce e o sal da vida nesta terra...
Tremi ao ver aquela foto que dizes ser tua... Temi que aquela não viesse a me querer como você me quer agora!
Temi que até aqueles olhos, mirassem outros horizontes para eles próprios, horizontes que sinto eu nem estaria...
Vi, com certa alegria e ternura, como me foram favoráveis o destino e a vida, que nos uniram quando já calejados, eu tinha amadurecido e você já era bem mais senhora de si mesma, e não de algum arroubo da juventude!
Bem disse o tempo...
Se eu te conhecesse naquela altura, decerto me apaixonaria...
Uma possível recusa tua, me seria a morte, ou prenúncio de alguma loucura.
Se agora, tua lágrima me afoga, teu silêncio me sepulta, tua ira me esmaga, imagina tudo isto antes, quando eu nem tinha amado tanto, nem tinha ganhado e perdido tanto, para perder-te por sua recusa?
Deus é testemunha de meus achaques...
Do que me atormenta e inculca.
Do medo de perdê-la, de voltar para casa e não ter os teus abraços, ou ao sair não perceber que seu aceno é de despedida e não de um até breve...
Seja como for, seja aquela foto lembrança de teus idos anos, ou alguma arte de algum APP, você sempre, para mim foi linda...
E considerada uma obra de arte!

Em minha mente faço com que você seja o modelo ideal para uma pintura, que com o passar do tempo Deus vai dando alguns retoques...
Não falo de rugas, ou de nada parecido...

Falo da beleza em teus olhos, do brilho claro em teus olhares...
Falo da delicadeza em teus abraços, da doçura em teus beijos, do sabor de pecado em teus lábios, que eu abocanho com fome e com fúria!
E eu não amo aquela da foto mais do que a ti de agora, amo a ti que foi aquela um dia, aquela que é base para esta mulher tão forte, que carrega em seus braços o meu amor, e a minha loucura!
Nem tente rebater isto que eu lhe digo, embora tenha o direito de falar:
É só assim que eu sei te amar...




ARTESÃO AMIGO  


EDVALDO ROSA

Poeta, escritor, divulgadot cultural. Publicou 4 livros próprios e participou de mais de 70 antologias no Brasil e no exterior. Faz parte de algumas Academias de Letras (também no Brasil e no exterior). Foi empossado como 1° Secretário da ACLASP - Academia de Ciências, Letras e Artes de São Paulo. Seu site oficial é: www.sacpaixao.net


segunda-feira, 26 de agosto de 2019

EXCLAMAÇÃO GRAMATICAL - por José Juciê


Eu conjugo o verbo na pessoa errada
Eu não sou ninguém, eu não sou nada
Eu procuro o tempo correto
Pra encontrar você.

Não acrescento nenhuma vírgula
Ao que você me diz
Precisamos pôr os pingos nos is
Ou então colocar um ponto final
Ou até mesmo termos um final feliz.

Deixe-me ser o sujeito em suas orações
Ore por mim
Que adjetivarei todos os seus predicados
Perdão pelos meus pecados.



Eu deixo reticências etc e tal
Em dois pontos nós concordamos
Ninguém quer que eu trema
E ser forte é fundamental.

Entre aspas, eu coloco o seu nome
Pois você preencheu um parêntese em minha vida
Que agora está mais acentuada
Sem interrogação e sem ferida.

Assim então tentaremos ser
Substantivamente felizes...


ARTESÃO AMIGO  


JOSÉ JUCIÊ MOREIRA

Nascido no sertão cearense, na cidade de Acopiara, em 1969. Filho de humildes agricultores. 
Desde cedo, sempre teve um olhar poético sobre o mundo. 

Apaixonou-se pela Língua Portuguesa ainda na 6ª série. Nessa fase também já tinha apurado o gosto pela leitura, com predileção pela literatura brasileira, em especial, Érico Veríssimo, José Lins do Rego, Carlos Drummond de Andrade, entre outros.
 Licenciado em Letras pela Universidade Braz Cubas, de Mogi das Cruzes, SP.


quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Um pouco - por Cézar Luiz de Souza


Um pouco de mim mesmo
De nós

De nós restou um encontro e 
alguns dias de rotina exemplar.
Nada mais de fortuito,
de fruto roubado nem conversa de bar.
De nós restou as querelas,
as parcelas daquilo que não vingou
De nós restou um pouco de prosa,
um tanto de poesia
e um vazio sem graça da realidade.

De nós sobrou o sombrio,
o sono, o silêncio,
o respeito educado,
a nobreza do olhar.
De nós sobrou o orgulho,
a decisão quase certa,
o choro encolhido,
o desejo escondido e
a luta para esquecer
o que era sonhar.


                   ARTESÃO AMIGO:

CÉZAR LUIZ DE SOUZA

Quem sou eu
Quando nasci, um anjo debochado disse: 
Vai, Cezar! Ser funny na vida.
E a vida foi acontecendo. 
O canceriano se tornou professor, 
o professor foi se acostumando 
com as letras e tetras da educação. 
E quis brincar de gestor, de marido, 
de poeta, de educador...
E a vida continua acontecendo 
neste mundo, vasto mundo...

Área de anexos

quinta-feira, 4 de abril de 2019

BAILARINA - LIAH ALBUQUERQUE






Gira,gira
bailarina
Rodopia
Bem aqui
Te dou corda
Se recorda
Quanto amor
Passou por ti
O tilintar
da musiquinha
Faz magia
Faz sorrir

Pra dentro
Da sua caixinha
Eu também Desejo ir





ARTESÃ AMIGA 

LIAH ALBUQUERQUE

Nascida em 1968, passei por alguns momentos interessantes. Rock nacional, bandas progressivas, cujas letras eu traduzia (na adolescência) com o dicionário ao lado. Meus pais sempre me incentivaram a estar ligada às artes (ele jornalista e artista plástico e ela, pianista). Liam muito e eu, desde que me conheço por gente, os acompanhava ( Jorge Amado e Agatha Christie eram os meus preferidos). Ao compor músicas, quando baixista de uma banda nos anos 80, exercitava meu lado poeta (nunca levado a sério). Cheguei às redes sociais um tanto tarde (2016) e em 2017 o Facebook foi um aliado, pois comecei a escrever reflexões diariamente e retomei algo já esquecido (o gosto pela escrita). Fui bastante incentivada por minha madrasta (exímia escritora e professora de Língua Portuguesa). Tinha receio, afinal de contas, sou formada em Desenho de Interiores (hoje desenho pensamentos). Assim, redescobri o prazer de fazer o que gosto. Dedico minhas horas (vagas) a esta agradável atividade.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

15 - JONAS DA CRUZ AMARAL


a noite vai acabar
em um abismo (sem fim)
ela vai mergulhar
um novo dia vai chegar
outras lutas irei lutar
outros leões irei matar
um novo ser
vai nascer
vai nascer e vai morrer
vai perder e vai vencer
tudo passa
a vida acaba
viramos poeira
nada vai permanecer






ARTESÃO AMIGO 

JONAS DA CRUZ AMARAL

Jonas da Cruz Amaral nasceu no dia 4 de outubro de 1991.
É filósofo, psicanalista e poeta.
Licenciado em Filosofia pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Possui Especialização em Filosofia, Cultura e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora